quinta-feira, 25 de julho de 2013

Entrevista com minha avó materna Maria Braziliana da Conceição Soares

Data de nascimento: 03/02/1938
Mãe: Maria Eugênia da Conceição Soares
Pai: João Evangelista Soares

O pai dela era de Cachoeira mesmo e trabalhava na estação de trem Leste como guarda-chaves em Cachoeira e se mudou para São Félix em 1944 porque foi transferido para a estação de lá. Nessa época minha avô tinha 6 anos.
A mãe era sergipana e veio para Feira de Santana trabalhar na casa de um Padre. E conheceu João lá. Na época ele trabalhava na Leste de lá, porque herdou o cargo do pai. Quando casou-se, Maria, parou de trabalhar, ficando em casa para cuidar dos filhos.

Falando um pouquinho a sua trajetória.

"Estudei em um colégio particular durante um ano e depois fui para uma escola do governo, estudando até os 9 anos. Nessa época os pais não ligavam muito em colocar seus filhos na escola. Normalmente quem frequentava a escola eram os meninos, principalmente para aprender a fazer contas, e as meninas ficavam mais em casa aprendendo a bordar e cuidar do lar.
Apesar de meu pai não ser rico, a vida era tranquila. A casa tinha um grande quintal onde criávamos animais e tínhamos várias plantações que usávamos para nos alimentar.
Eu não gostava muito de festas, mas ia para a festa do senhor de São Félix e a festa de Deus meninos. Fui para o carnaval uma vez, mas não gostei.
Viajei muito de navio e adorava vê-lo chegar. Mas não gostava de viajar de trem.
Meu pai morreu quando tinha 17 anos. Fiquei muito mal e não quis mais saber de estudar. Ficava em casa ajudando minha mãe com a casa, na criação dos animais, a bordar e fazer croché e renda. Só depois de um tempo, resolvi entrar num curso de corte e costura e tirei o diploma.
As vezes eu ajudava as vizinhas que trabalhavam na fábrica de charuto a preparar o fumo para a produção dos charutos.
Quando a cidade alagava, as pessoas, as vezes tinham dinheiro, mas não tinham o que comprar e precisavam ir até Muritiba para encontrar algo. Uma vez a força da água era tão grande que a barca com comida que o governo tinha mandado não conseguiu chegar.
Por conta da situação difícil, minha mãe resolveu mandar meu irmão caçula, para Vitória do Espírito Santo) com um tio. E quando a coisa ficou muito feia por conta de uma enchente que teve, vim para Salvador procurar emprego, porque lá só encontrava trabalho em casa de família como doméstica ou babá. 
Por conta dessa enchente o carro que levava a pensão da Leste não conseguiu atravessar para São Félix porque as tabuas da ponte caíram.  Como a situação estava muito difícil, não tínhamos mais comida, resolvi me arriscar e atravessar a ponte para pegar o dinheiro.
Aqui em Salvador, fiquei na casa de uma tia, na Mangueira. E por ter muitas fábricas, fui procurar emprego em algumas delas, mas não consegui nada. Com 23 anos me casei com seu avô Paulino Conceição que também era de São Félix e estava em Salvador para trabalhar numa serraria. Ele não queria que eu trabalhasse e fui morar na casa dele, também na Mangueira. Mais ou menos um ano depois de casada, tive sua mãe (Ana Maria).
Quando eu ia visitar minha mãe em São Félix, ia no navio de Cachoeira que fazia a trajetória Cachoeira – Salvador. Mas quando ela vinha me visitar, utilizava o trem, porque morria de medo do navio.
Só depois que separei de seu avô foi que consegui um emprego em uma confecção na Baixa do Bonfim, com 42 anos. Depois fui trabalhar em um restaurante italiano na Pituba, depois fui transferida para uma na Avenida Sete. Eu era responsável por abrir e arrumar o restaurante. Meu chefe confiava muito em mim e pediu para que ajudasse ele a inaugurar mais um restaurante na Barra. Fiquei trabalhando por um tempo até que pedi que demissão porque saia muito tarde de lá e tava tendo dificuldades de pegar o ônibus e algumas vezes voltei pra casa andando. Imagina o que é uma mulher voltar pra casa andando, da Barra até a Mangueira, passando ali pela Contorno, Calçada.. Como não arranjei mais nada depois disso fiquei lavando roupa de ganho, até que Aluísio arranjou um trabalho pra mim numa cantina na Mangueira mesmo."


História de Cachoeira

Depois de Salvador, Cachoeira é a cidade baiana que possui maior destaque na história da civilização brasileira, contendo os mais belos monumentos arquitetônicos do período colonial e é considerada histórica e monumento nacional. Foi elevada a categoria de cidade em 1837 pela lei provincial nº 43.
Foi no final do século XVI que os portugueses se estabeleceram definitivamente na região de Cachoeira. Para isso, precisaram combater os índios rebeldes que atacavam constantemente os cinco engenhos de açúcar existentes nas margens do rio Paraguaçu.
A capela de Nossa Senhora do Rosário (hoje Nossa Senhora da Ajuda) foi uma das primeiras construções. O número de habitantes foi crescendo porque ali era o último ponto, por via fluvial, que dava acesso ao sertão, ficando conhecido como Porto da Cachoeira.
Gaspar Rodrigues Adôrno destacou-se no combate aos índios e como recompensa ganhou 4 léguas de terra, onde já havia uma pequena povoação que seria o Porto da Cachoeira. Gaspar enviou seu filho João Rodrigues Adôrno para Cachoeira para que ele continuasse o movimento de colonização.
Mais tarde, pela Carta Régia de 27 de dezembro de 1693, foi criada a Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira.
No século XVIII, o desenvolvimento de Cachoeira se dá pela crescente economia do açúcar no Vale do Paraguaçu e do Iguape, e por conta das aberturas das estradas para a região de minas e do gado. A grande estrada para o Sertão, ligava a Bahia à Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
O primeiro brado da liberdade partiu de Cachoeira que teve uma importância muito grande nas lutas pela independência, o que lhe rendeu o título de “Cidade heroica”.
O padre Lourenço da Silva Magalhães Cardoso foi para Cachoeira fugindo do General Madeira que o perseguia por ele pregar contra os portugueses. Além dele, outras pessoas se refugiaram em vilas do recôncavo.
As tropas que estavam em Belém e no Iguape se dirigiram para Cachoeira, reunindo-se na Praça da Regeneração (atual Praça da Aclamação). Então houve uma reunião na Câmara que proclamou Dom Pedro como regente do Brasil. Para comemorar foram disparados alguns tiros de festim que provocou a reação do navio de guerra mandando pelo Coronel Madeira para vigiar a Vila, iniciando a luta.
Isso aconteceu no dia 25 de junho de 1822. Só em 28 de junho de 1822 os soldados venceram a batalha, aprisionando o comandante 1º Tenente e os 26 soldados que estavam feridos, pois os outros haviam fugido. Após esse ocorrido, outras vilas do Recôncavo aderiram ao movimento, iniciando,então, a organização do exército libertador, que marchou ate Pirajá quando pronto.
Como consequência das lutas entre brasileiros e portugueses, a economia sofreu um abalo e para não piorar a situação o Conselho Interno do Governo da Província criou a Casa da Moeda da Vila de Cachoeira que funcionava no Convento do Carmo que passou por algumas adaptações. A primeira moeda foio cunhada em 7 de junho de 1823. Porém em 30 de junho do mesmo ano a Casa da Moeda parou de funcionar, definitivamente.
Alguns acontecimentos importantes:
- Em 1819, Cachoeira teve seu primeiro barco a vapor que recebeu o nome de Santa Maria;
- Em 1839, o Rio Paraguaçu subiu ao maior nível que se tem notícia, no século XIX, deixando a cidade devastada;
- Em 1827, a Câmara manda construir o Chafariz com 7 toneladas que abasteceu a população por muito tempo. Porém houve a necessidade de construir algo mais moderno e higiênico. Para isso, foi necessário a construção de uma barragem situada à 4 quilômetros de Cachoeira. Essa barragem também abastece as cidades vizinhas;
- Em 1847, Cachoeira começou a ser iluminadas por lampiões. Em 1888 que foi inaugurado o serviço de iluminação com lâmpadas belgas, queimando querosene, e eram acesas às 18 horas e apagadas às 5 horas. Só em 1930 que foi inaugurado o serviço de iluminação público com 229 postes de aço.;
- Em 1855, a cólera atingiu Cachoeira matando cerca de 8.500 pessoas;
- Com a construção da estrada de ferro para Feira de Santana vem progresso;
- No final do século XIX, os cachoeiranos, finalmente, conseguem a ponte sobre o Rio Paraguaçu que liga Cachoeira a São Félix;
- O serviço de telefone foi inaugurado em 1923;
- Os carros à motor chegaram em fevereiro de 1928;

- Com a crise econômica, que teve início no fim só século XIX, Cachoeira passou por enormes dificuldades econômicas e sociais, tendo um elevador índice de desemprego. Com isso, muitas fábricas, casas de comércio e outras atividades imporantantes para o seu desenvolvimento tiveram que ser fechado.

História da Bélgica

Durante a Guerra dos Cem anos, o território onde hoje é a Bélgica, foi local de várias batalhas, adquirindo a reputação de “campo de batalha da Europa”.
No final da Idade ela fez parte das chamadas “XVII Províncias” junto com a Holanda e Luxemburgo de hoje. Inicialmente as províncias pertenciam aos Duques de Borgonha que eram de uma família relacionada aos reis da França. Depois pertenceram aos imperadores Habsburgo e por fim, aos reis da Espanha.
No século XVI surgiu o protestantismo, prevalecendo nas províncias do Norte, que se separaram tornando-se independente. Posteriormente, passaram a ser o Reino dos Países Baixo que é a Holanda de hoje. As províncias do Sul permaneceram sob o domínio espanhou até 1713 quando se tornaram parte do Império Austríaco, sendo conhecidas como Países Baixos Austríacos. Com a invasão francesa, em 1792, tornaram parte do Império de Napoleão. Em 1815, após uma batalha travada perto de onde hoje é Bruxelas, se juntaram à Holanda para formarem o Reino Unido dos Países Baixos. Só em 1830 que os belgas se revoltaram e conquistaram sua independência.
Na segunda metade do século XIX houve um desenvolvimento nas indústrias e na economia, com base no carvão e aço, na indústria química e no comércio. Isso fez com que fosse considerada uma das principais economias do mundo.
Em 1914, o Império Alemão invadiu a Bélgica, pórem seu exército resistiu e lutou. Por conta disso, houve destruições severas e execuções civis, e ela precisou ser salva da fome pelos Estados Unidos que lhe mandaram alimentos. Foi invadida novamente pela Alemanha em 1940, mas dessa vez o exército teve que se render depois de cerca de suas semanas de luta. Com isso o governo eleito foi para o exílio em Londres e de lá organizou unidades belgas dentro das Foças Armadas britânicas para reconquistar seu território. Muitos belgas fugiram da Bélgica para se alistar nessas unidades.
Alguns belgas colaboraram com os alemães e outros não e isso fez com que, após a guerra, 87.000 pessoas fossem acusadas de traição, crimes de guerra ou de terem ajudado o inimigo. Destes, cerca de 4.000 receberam pena de morte, sendo executados 241.
Inspirada pelo desejo de ver um fim às guerras entre seus vizinhos, a Bélgica se tornou um dos pioneiros na unificação européia, tendo sua capital, Bruxelas, como sede da maioria das instituições européias. Uma das sedes, NATO, contribuiu com a maior parte da sua força militar na Guerra Fria.

A Bélgica é divida entre a comunidade flamenga do norte (holandesa) e a comunidade valona do sul (francesa), que não se entendem por fatores culturais, históricos e econômicos.